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Miranda do Corvo é uma vila sede de Concelho localizada no Distrito
de Coimbra junto à Serra da Lousã. Trata-se de uma vila muito antiga com
foral desde 1136, de D. Afonso Henriques.
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Miranda desenvolveu-se em redor do morro do antigo castelo num
emaranhado de ruas e escadas estreitas que fazem da zona histórica da
vila uma das mais características do país.
Do alto do Calvário, junto à igreja matriz e à torre sineira,
vislumbra-se uma panorâmica de toda a vila e das vertentes da serra da
Lousã.
Neste local sugerimos uma visita à Igreja Matriz. Esta igreja tem por
patrono o Salvador. D. Henrique e D. Teresa doaram a igreja à Sé de
Coimbra, indirectamente, isto é, autorizaram o presbítero Árias a fundar
a igreja, parecendo deduzir-se que foi em época anterior à incursão
moura de 1116.
Em relação a construções anteriores à actual, há documentos
comprovativos de uma nos finais do séc. XIV.
O actual edifício provém duma reconstrução do último quartel do séc.
XVIII, substituindo a velha igreja do séc. XV, por esta se ter arruinado
completamente a ponto de ser demolida em 1785. A data de 1786 na porta
principal corresponde ao início dos trabalhos.
É um templo vasto e regularmente proporcionado. A frontaria segue o
esquema neoclássico da igreja distrital usual à época: duas pilastras em
cada lado, elevando-se a parte média; porta de cimalha e verga curvas,
encimada pela janela do coro. O interior é de uma só nave, muito ampla.
A cabeceira contém o retábulo principal e os colaterais datados do fim
de setecentos.
Junto à igreja Matriz encontra-se a Torre Sineira. Pertencia ao
desaparecido Castelo Medieval, que com a perda de importância
estratégica se foi deteriorando, até ao seu completo desaparecimento.
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A visita pode continuar com uma passagem no Calvário, local que, por
impulso do pároco Fernando dos Santos Coimbra, foi aproveitado para a
construção de um local aprazível e acolhedor, coroado por uma escultura
do Cristo-Rei.
Neste local, na parte oposta à Igreja, encontra-se a Capela do Calvário,
reformada e ampliada modernamente - 1899 na frontaria; 1932 no piso
fronteiro. Conserva a porta antiga, elegante, de duas pilastras e
mísulas complementares a suportarem o frontão. Os batentes são de
almofadados em traçados curvos. Aquela e estes pertencem à segunda
metade do séc. XVIII. No interior suspendem-se das paredes seis telas de
J. F. Alvarinha, datadas de 1880. Representam passos da Paixão.
Dos cruzeiros que faziam parte da Via Crucis só é antigo o que fica em
frente da capela: possui coluna sobre degraus circulares, do tipo
seiscentista, mas coroado de uma cruz trevada, de 1871.
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Deste local avista-se também a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte.
Encontra-se isolada num adro na vila. Anteriormente terá lá existido a
capela de S. Cristóvão, de que subsiste documentação provando a sua
existência em 1576. Houve igualmente, à sua frente, um adro com um
cruzeiro com o nome do mesmo santo. Lá se enterravam os que, sendo de
fora da freguesia, nela pereciam, o que levou a que chamassem àquele
adro “pátria dos peregrinos”. As paredes laterais do corpo acusam, pela
cornija, que foram reaproveitadas de uma obra do séc. XVII. Foi nesta
capela que se instituiu, em 1732, a Irmandade de Nª. Sª. da Boa Morte.
A fachada é bem proporcionada, existindo pilastras nos cunhais, cimalha
de cantaria que segue traçado mistilínio, porta e óculo quadrilobado,
com molduras e formando uma só composição; duas janelas do coro, de aro
moldurado, e abaixo, ao lado da porta, dois rótulos concheados. No
interior existem três retábulos de gosto setecentista final.
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Miranda do Corvo é também cheia de locais convidativos ao repouso como é
o caso da Praça José Falcão, sala de visitas de Miranda do Corvo. Este
magnífico jardim enquadra o edifício dos Paços do Concelho. No espaço
fronteiro a este edifício encontra-se uma réplica do pelourinho
quinhentista, construída no âmbito das comemorações dos 870 anos da
Carta de Foral de Miranda do Corvo. O pelourinho original encontra-se
abrigado no átrio do edifício dos Paços do Concelho. Data do primeiro
quartel do séc. XVI e encontrava-se no local onde existia a antiga Casa
da Câmara (actual Feira da Sardinha). É contemporâneo do foral de D.
Manuel, datado de 1513 ou 1514.
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Em Miranda pode ainda visitar-se a Capela de São Sebastião e vários
monumentos escultóricos, nomeadamente a estátua da liberdade, o
monumento de homenagem ao oleiro, o monumento ao trabalho, a estátua de
homenagem à mulher e o monumento de homenagem aos ferroviários.
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Para além de uma história quase milenar, Miranda do Corvo tem para
oferecer aos seus visitantes paisagens de uma beleza deslumbrante que
vão desde as aprazíveis margens do rio Ceira até aos picos da serra.
Mas, ainda antes de subir as vertentes da serra, vale a pena desfrutar
da tranquilidade do Santuário da Nossa Senhora da Piedade de Tábuas. A
fundação e o fundador da capela, Domingos Pires, estão envoltos numa
curiosa lenda de aparições e anjos escultores. O lavrador, que era
julgado de recuada época, veio o historiador Belisário Pimenta
encontrá-lo bem identificado, com a mulher Leonor Eanes e as filhas Eva
e Maria Martinho, nos meados do séc. XVI. Os restos artísticos mais
antigos confirmam-no igualmente. O santuário foi sede de grande devoção
e romaria.
A capela principal encontra-se disposta cenograficamente numa elevação –
que teve o nome de Malhadinha – que se destaca numa garganta apertada da
serra de Miranda. Como de costume, desenvolveu-se o santuário ao longo
do caminho de acesso, por meio de motivos secundários, que formam um
todo: capela de S. José, cruzeiro e capela de Santo Amaro, fonte, a
capela propriamente dita, ao que juntaram nas vertentes próximas umas
capelas nichos sem valor.
O edifício da capela da Piedade data da segunda metade do séc. XVI, com
algumas reformas no séc. XVIII e adendas posteriores.
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Subindo a serra, encontra-se o Gondramaz, uma aldeia de xisto onde o
tempo parece ter parado. Chegados perto do cimo da montanha, ergue-se do
solo a aldeia, o Gondramaz, que de uma forma envergonhada se vai
mostrando através da vegetação.
A sensação é esmagadora. Todos os sentidos são estimulados. A visão é
imaginária. Parece que estamos a caminhar sobre os telhados.
A sinalética indica-nos os pontos de referência da aldeia e dá-nos a
conhecer os seus segredos. A audição é envolta de um som forte, de uma
música, de uma pauta escrita pelo som emitido pelas asas das abelhas. O
cheiro é extasiante, a um odor de verde da natureza. O sabor está
envolto no gosto delicioso das castanhas que envolvem o chão.
Visitada a aldeia, convidamo-lo a percorrer a pé os caminhos da serra.
Durante a subida, vamo-nos apercebendo de vários pontos de miragem sobre
a vila e das encostas das montanhas, de uma beleza rara de vegetação que
vai escorrendo e envolvendo a íngreme depressão até ao sopé, terminando
numa euforia de verde.
A fauna, esconde-se no embrenhado da flora, mostrando-se aqui e ali de
uma maneira tímida. Veados e javalis dividirão com o aventureiro os
caminhos pedonais que se abrem diante dos nossos olhos e que nos guiam
neste passeio pedestre.
Chegados à cumeeira, abre-se aos nossos olhos, uma pintura dos deuses.
As elevações e as depressões, as várias tonalidades de verde, toda a
paisagem parece não ter fim. Os olhos “enchem-se” de tanta beleza.
O percurso continua, sobre caminhos de terra batida, encaminhando-nos,
em descida, à aldeia abandonada do Cadaval. Mais um exemplo magnifico da
típica aldeia serrana.
Embora abandonada e vítima de um grande incêndio que a devorou, a aldeia
ainda guarda o testemunho de ruelas e de paredes em xisto que encerravam
as inúmeras casas. A paisagem convida ao descanso e à contemplação.
Para trás começa a ficar a aldeia do Cadaval, trazendo-nos ao ponto de
partida.
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Do alto da Freguesia de Vila Nova, junto ao parque eólico, se o tempo o
permitir, os olhos alcançam o mar das praias da Figueira da Foz, a
cidade de Coimbra e os campos do baixo Mondego. Com um pouco de sorte,
será possível avistar veados ou corços.
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O património do Concelho tem o seu expoente máximo no Mosteiro de Santa
Maria de Semide. Mosteiro de monges beneditinos, fundado em 1154, na
localidade de Semide. Passou a convento de freiras para receber as
descendentes de Martim Anaia, o fundador.
Do que resta, a parte mais antiga é o claustro do séc. XVI, cerca de
1540. O incêndio de 1664 devorou a maior parte do edifício que foi
reconstruído e inaugurado, com a actual igreja, em 1697.
De todo o conjunto salienta-se a Igreja, com um retábulo e cadeiral em
madeira, dos finais do século XVII, azulejos policromáticos do séc.
XVIII, esculturas dos séc. XVII e XVIII e altar-mor também do século
XVII. O órgão da segunda metade do séc. XVIII.
Em Setembro de 2000 foi descoberta a fornalha de um primitivo fogão
durante as obras efectuadas no refeitório do Mosteiro, supervisionadas
pela direcção-geral dos Edifícios e Monumentos.
Trata-se de uma fornalha embutida no solo da antiga cantina, na qual a
combustão se processaria através de um túnel construído em tijoleira que
também foi posto a descoberto.
Este achado está preservado, servindo de testemunho da época de
construção daquela parte do edifício que remota aos séc. XVII e XVIII.
Encerrado na altura da extinção das ordens religiosas, aí foi instalada
uma escola Profissional de Agricultura, sob a égide da então Junta
Distrital, por iniciativa do Dr. Bissaya Barreto.
Actualmente funciona nas instalações do Mosteiro uma residência da
Cáritas e um Centro de Formação (CEARTE).
Devido às condições acústicas do local tem-se realizado anualmente o
ENCONTRO DE COROS na Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Semide que tem
contado com coros nacionais como também internacionais.
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No topo da vertente sobranceira ao Mosteiro de Semide encontra-se o
Santuário do Senhor da Serra, palco de uma centenária peregrinação e um
miradouro de excelência de onde se avista todo o maciço central da Serra
da Lousã à Serra da Estrela.
Este Santuário, erigido e devotado ao Santo Cristo foi palco de uma das
maiores romarias do país, antes do aparecimento do Santuário de Fátima.
A devoção começou num cruzeiro de caminho e, pouco a pouco,
transformou-se numa grande romaria.
A Capela é só de uma nave. A torre ergue-se a meio da frontaria,
rasgando-se na base o portal e rematando em pirâmide. A capela-mor,
poligonal, é de tipo nitidamente romântico. O retábulo principal em
madeira, flamejante, inspirado no da Sé Velha, é desenho de António
Augusto Gonçalves e foi executado sob a direcção de João Machado, seu
pai.
A imagem do Santo Cristo é um crucifixo de pedra, tipo setecentista,
mostrando na base as indicações de “1704 e R(eforma) do 1862.”. O
púlpito, seiscentista e torneado, veio da Sé Velha. Os vitrais e os
azulejos exteriores (ex-votos) foram executados na escola Avelar Brotero,
em Coimbra.
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Antes de deixar a Freguesia de Semide, vale a pena descer até às margens
do Ceira, rodeadas do verde da serra e visitar a Praia Fluvial de Segade.
No regresso a Miranda, ainda em Semide, vale a pena apreciar dois
monumentos escultóricos que homenageiam os viveiristas e a chanfana.
Terá sido em Semide que nasceu o expoente máximo da gastronomia do
Concelho.
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De seguida visite Rio de Vide: o nome provirá da existência de um rio
(Rio Torto), cujas águas, consideradas curativas, eram bastante
procuradas por pessoas doentes, nomeadamente gafos. A história desta
freguesia anda, assim, ligada à gafaria de Coimbra. Foi esta leprosaria
fundada e construída em execução do testamento de D. Sancho I, de 1210.
Anteriormente, em 1201, já Rio de Vide recebera carta de foro ou
povoamento, que D. João I confirmou em 1385.
A freguesia pertenceu, até 1839, ao concelho da Lousã. A partir de 1840
passou a fazer parte do concelho de Semide, entretanto extinto em 1853.
A visita poderá culminar com uma visita à paisagem calcária de Lamas
onde abundam os vinhedos. À tradição das vindimas associa-se a arte da
tanoaria que Miranda do Corvo perpetuou num museu localizado na Quinta
da Paiva. Nesta freguesia produz-se um excelente e afamado vinho graças
às suas encostas soalheiras.
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Muito mais se pode visitar neste Concelho, mas, além do património
natural e monumental, Miranda é berço de muitas tradições e uma terra de
gente hospitaleira e solidária que fará o visitante sentir-se em casa.
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